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Mostrando postagens de junho, 2008

Cinza

Juan não agüentava ver as ruas da linda Paris tão cinzas. "Somente os apaixonados conseguem ver as belas cores", ouvia a voz dentro de sua cabeça que ele se preocupava em anotar tudo que ela dizia. Juan passava algumas horas do seu dia analisando o Moulin Rouge para tentar enxergar um leve tom do lindo vermelho, mas tudo que via era cinza, nem o verde daquele gramado na frente da Torre. É claro que foi ao médico assim que notou essa alteração em sua visão. Não, Juan não notou no primeiro dia e sim após um mês. Estava muito ocupado tentando escrever poemas românticos. Por esse exato motivo se mudara para a 'cidade dos apaixonados'. O médico disse que ele não tinha problema algum na visão e sim no coração, pois todos sabiam muito bem que Juan estava vivendo sozinho a muito tempo. Mas o adorável Juan simplesmente não mais sentia vontade de ter alguém. É verdade que ele tentara com Paola na infância, depois com Brian na juventude e por fim Sophie com quem se casou, mas ja...

Joelho

Eu: me dá o mais amassadinho, mais fininho porque, sabe como é, a massa de vocês deve ter mudado porque ta muito massudo ultimamente. Dono da lanchonete: é... Talvez tenha acontecido alguma mudança, mas vou avisar e eles alterarão-na... Obrigado pela observação! Eu: Denada. Dias depois voltei lá pra comprar outro joelho. Eu: Nossa! Voltou pra antiga receita? Dono da lanchonete: mais é claro! Sua observação foi de suma importância, os lucros estão aumentando. Eu: Que bom. Aí peguei a embalagem pra viagem (como sempre) e fui pra loja. Notei que o joelho estava realmente com a massa mais leve, mais porque estava quente... o da semana passada estava frio...

Culpa

Não mais veria a luz. Mas só por culpa da maldita faca. Tinha uma faca no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma faca. Mas de nada adianta lamentar-se, o sangue já foi derramado, o culpado não tem culpa, mas é verdade que foi ele mesmo que cometeu o crime. Talvez não deva dizer que cometeu um crime, ele só seguiu o coração ou instinto. Mas crime mesmo não, definitivamente não. A sociedade discrimina qualquer ser que tenha feito algum crime. Perdoem-lhes, eles não sabem o que fazem. Quem pode dizer que não cometeria o mesmo crime? É aquele tipo de coisa que só vivendo. Eles dizem que jamais matariam, exceto se fizessem algo grave com seus filhos ou alguém muito querido, ou seja, eles matariam sim. Talvez não se formos considerar a fraqueza no coração humano. Mais o importante é que ele não mais veria a luz. A luz que refletida nos longos cabelos dela deixavam seus olhos ardendo, o sol que queimava a pele branca aveludada ou cremosa talvez, a luz que ele diminuía quando ela o cham...