No ponto de encontro entre duas paredes e o teto do box do meu banheiro tinha uma teia com uma aranha de um tamanho considerável e patas, que para meus estúpidos olhos humanos amedrontados pareciam gigantes, não gosto de aranhas, principalmente quando elas estão com um tamanho considerável. Mas o que mais importa é que a aranha ainda vivia naquele cantinho quando uma mosca idiota, com seu vôo idiota acabou grudada naquela armadilha cruel preparada para que a aranha pudesse alimentar-se e, conseqüentemente, crescer. Não saberia definir qual era a mais nojenta, a inconveniente da mosca suja que cai nos nossos copos de Coca-Cola em qualquer pracinha que se sente para fumar um cigarro ou passar o tempo ou fazer sabe o que mais as pessoas fazem em pracinhas com um copo de Coca-Cola; ou a nojenta da aranha que só pelo número de patas já dá arrepios. E lá estava a besta da mosca debatendo-se e grudando-se cada vez mais naquela teia, não tardou e veio a aranha com toda aquela imponência e ta...
Depois que eles sairam, dei play em "How to disappear completely" do Radiohead, porque essa é a musica que eu imagino que estaria ouvindo no leito de morte. Sentia que ia morrer, essa dor de cabeca que não passa deve ser uma espécie de presságio. Até honroso morrer pela cabeca, enlouquecer, pelomenos não seria atropelamento ou bala perdida. Os doutores diriam "o cérebro dele esgotou-se" ou "não suportou tanto pensamento". Poderiam dizer que morri de pensar, isso seria uma honra. Pena que eu seja uma pessoa importante somente para uma meia duzia, que incluem meus pais, meu namorado e meu melhor amigo. Mas todo esse pensamento me tomou a cabeca, senti que aquele cigarro não seria um cigarro qualquer, seria o último deles. Olhei pro copo que estava vazio, corri para enchê-lo e beber, não qualquer copo, mas o último copo daquele veneno preto delicioso. Assim que entrei na cozinha Beladonna saltou para a janela onde mora uma lagartixa, lembrei que o Fred disse ...