O Anti-Cristo!

Postando minhas idéias e opiniões sobre a vida, a arte, e sobre o que mais der vontade!

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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Morte

Depois que eles sairam, dei play em "How to disappear completely" do Radiohead, porque essa é a musica que eu imagino que estaria ouvindo no leito de morte. Sentia que ia morrer, essa dor de cabeca que não passa deve ser uma espécie de presságio.

Até honroso morrer pela cabeca, enlouquecer, pelomenos não seria atropelamento ou bala perdida. Os doutores diriam "o cérebro dele esgotou-se" ou "não suportou tanto pensamento". Poderiam dizer que morri de pensar, isso seria uma honra. Pena que eu seja uma pessoa importante somente para uma meia duzia, que incluem meus pais, meu namorado e meu melhor amigo.

Mas todo esse pensamento me tomou a cabeca, senti que aquele cigarro não seria um cigarro qualquer, seria o último deles. Olhei pro copo que estava vazio, corri para enchê-lo e beber, não qualquer copo, mas o último copo daquele veneno preto delicioso. Assim que entrei na cozinha Beladonna saltou para a janela onde mora uma lagartixa, lembrei que o Fred disse que lagartixa é um veneno para gatos. Afinal, eu morreria, mas não desejava isso pra tão jovem criatura.

Dei-me conta de que a música devia estar pela metade e quando ela acabasse eu acabaria junto com ela... O Thom já gritava "I`m not here, this isn`t happening", corri e me sentei de frente pro computador para esperar a morte vir me buscar, mas nenhum vulto se quer tinha passado. Lembrei da minha mãe, eu sentia saudades dela e de toda a minha família, mas eles viviam longe agora. Olhei pro presente que tinha acabado de comprar para minha sobrinha e me deu até um aperto no coracao.

Não é de tristeza e sim de uma felicidade constante que as vezes se exalta a ponto de ficar melancólica e quase triste que sofro. Nem parece que tudo isso está acontecendo, ou alguma coisa ruim está para acontecer, e de fato acontece, todo dia. A felicidade plena e constante não existe.

A música acabou, o cigarro também acabou e o copo esvaziou. Cansei de repetir a mesma canção, ela acabou mais umas três vezes e acabei me convencendo de que já estava na hora de ouvir outra. Ouvi um barulho na fechadura da porta, eram eles voltando com algum lanche gostoso que tinham ido buscar. E eu continuei aqui, vivo.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Como pratos rodopiando

O tempo? Ele corre contra mim. As contas chegando e o um terço do meu salário no bolso de algum sem vergonha. Terço, eu devia rezar um terço, mas pra que rezar? Deus não existe e se existisse já estaria muito ocupado com a África ou sei la que países mais pobres existem.

Eu vivo nessa cela, nessa jaula, eu sou um empregado, subordinado, escravo do poder alheio. Fico exposto numa vitrine aqui perto de casa, aguardando você ir lá e abusar de mim. Aquele outro mundo chamado Barra da Tijuca, aqueles seres que me envergonha pertencer a mesma raça. Quem dera eu podesse romper as barreiras da minha mente, usufruir de toda essa ira e descontar tudo isso naqueles cabeças-de-plástico, mal educados e arrogantes. Pessoas que não deviam existir. Eu sou uma reação química destruidora causada pela sociedade, a bomba atômica que explode na tua cabeça.

Sempre atrasado pro trabalho e chegando depois da hora, o despertador toca oito horas da manhã e mesmo que eu chegue em casa no meio da noite ele não me perdoa. Esse despertador barulhento e irritante que faz subir pelas paredes tremulas do meu quarto.

Eu queria poder explodir e acordar novinho em folha amanhã. Mas eu ainda quero provar de muito mais que eu posso oferecer a mim mesmo e que talvez eu não saiba que possa, mas um dia eu descubro. Fico fora dessa loucura, desse medo constante e só vivendo um sonho pra não pirar.